Da gestação pros Anos 30

[Quarta-feira, 14 de maio de 2014]

Costumo brincar que fiz 30 aos 27: não sei se por ter chegado à "idade temida pelos rockstars" vivona pós-trombose cerebral, mas foi quando percebi que estava mais próxima dessa etapa da vida que dos 20. O fato de ter que começar a me preparar para a maratona da monografia (tive o surto em 2011 e só a comecei, de fato, em 2013) também influenciou tudo isso por ter sido talvez a primeira vez que senti que deveria agir como adulta. E, apesar de ter demorado todos esses anos para me perdoar por ter levado SETE ANOS para me formar (e num curso que nem gosto), fico feliz por ter ficado livre disso justo agora: na véspera dessa década na qual dizem que a vida começa de verdade. Depois dessa época de TANTA culpa e incerteza, definindo em poucas palavras, quero mesmo dedicar meus 29 pra mim mesma.


Li esse texto hoje no fim de um livro (“As 30 coisas que toda mulher de 30 deve ter e saber”) e acho que resume bastante o que passei nesses anos e o quero nessa nova fase...

Por que dizem que a vida começa aos 30?

Trinta anos é quando você deixa de lado a ‘comparatona’: a competição insana que faz você ficar olhando toda hora para trás para ver como todo mundo está se saindo no trabalho/amor/cuidados com o corpo. Afinal, é tentador ver os 20 anos como a chance de deixar sua marca. Então você procura dar o seu melhor e fica de olho no que as pessoas estão fazendo. Isso pode deixar uma garota freneticamente ocupada. “Sim, eu faço kickboxing às seis da manhã com minhas amigas mais em forma e participo do grupo do livro à noite com as mais inteligentes! Veja como acompanho meus amigos bebendo cerveja até as duas da manhã... e depois levo um para casa e lhe dou a melhor farra do século!” Graças à ‘comparatona’, você chega ao fim dos 20 anos perita em muitas coisas. E exausta.

Então vêm os 30, quando você é praticamente obrigada a refletir. Algumas amigas suas se casaram. Outras arrumaram um parceiro. Algumas estão recomeçando do zero. Algumas estão felizes, outras não e, de repente, enquanto você processa todas essas mudanças, a ‘comparatona’ começa a parecer... meio boba. A vida não é uma competição – de beleza, popularidade, ou outra coisa qualquer. E há felicidade suficiente para todos. Além disso, aos 30, a maioria de nós começa a notar que os momentos mais marcantes da vida até agora aconteceram quando nós não estávamos nos esforçando tanto. Não é assim para você também? Um domingo chuvoso fazendo uma maratona de palavras cruzadas com sua sobrinha. Aquele beijo maravilhoso com o cantor folk do bar. Um elogio de um colega de trabalho que, sinceramente, fez você estremecer de orgulho. John Lennon disse que a vida é o que acontece quando estamos ocupados fazendo outros planos – e para saborear os momentos mágicos do dia a dia de que ele falava, você precisa deixar de ficar olhando em volta para medir o progresso das outras pessoas.

Na vida, ninguém está segurando um cronômetro – nem aquelas amigas da ginástica, nem seu colega de faculdade que ajudou a criar um negócio online, nem mesmo a Oprah. E se você está aí sentada marcando seu próprio progresso, talvez seja a hora de desligar a maldita coisa... e depois pisar nela. Afinal de contas, como a editora da Glamour Emma Rosenblum, que fez 30 anos recentemente, costuma dizer: “Estamos todos em timelines diferentes e precisamos perceber que a vida não é uma corrida. Ela se parece mais com um daqueles eventos beneficentes de caminhada, em que todo mundo segue seu próprio ritmo, usando um chapéu bobo e muito protetor solar.” Aos 30 anos, você deve seguir em sua própria velocidade. E daí se alguém for promovido primeiro? Ou tem um abdômen mais sarado, ou um cabelo misteriosamente mais perfeito? Ou se engravida primeiro... ou permanece gloriosamente solteira por mais tempo? Parabéns para ela. Essa é a corrida dela.

Então continue sua caminhada! E leve sua sobrinha. Ela fará 30 algum dia, e você vai querer lhe dizer como isso é incrível. De verdade.