Turbulência

[Terça-feira, 17 de setembro de 2013]

...e chegou o momento que eu mais temi relação à monografia. Sim, a essa altura eu já sei que a monografia em si nunca foi o problema, mas a princípio não foi bem assim. Sabia que, no meu curso, teria que fazer um estudo de caso e entrei em pânico. Enfim, demorou bastante mas eu consegui começar essa bagaça e, quem diria, estou desenvolvendo um trabalho até bem bom até o momento. Até agora, tudo deu certo. Até agora. O Plano A deu errado, e nada me garante que o B dê certo.

Tenho exatos 28 dias para entregar os resultados (os gráficos vou poder entregar depois) - isso porque eu dei uma chorada, ela queria para 15! A próxima reunião vai ser numa terça logo após o show do Anathema, então, se eu ainda tinha algum fiapo de esperança, ele acabou de arrebentar. O que me consola é que [1] eu já vi um show deles e [2] eles são jovens ainda, porém todos têm mais de 27, então não creio que ninguém vá morrer por agora (lembro que não fui ver o Dio quando rolou aqui e, puf, um ano depois ele bateu as botas) e outras oportunidades virão. Quando tudo isso acabar, desacorrentarei a louca dos shows que vive aqui em mim.

Voltando. O que pega é que eu me altero mais do que eu gostaria quando dependo de algo ou de alguém e não posso fazer nada em relação a isso naquele momento. Até ter que pedir carona me estressa. No caso da monografia, eu dependo da boa vontade de alguma instituição me permitir aplicar algumas centenas de questionários. E, nossa, como isso é foda. Saber que por mais que eu tenha me esforçado e feito tanta coisa sozinha até agora, isso não depende só de mim; que, na pior das hipóteses, eu posso ter que mudar TODO o meu trabalho porque essa parte não deu certo.

Ontem passei o dia angustiada, desde a hora que acordei, talvez já pressentindo o que viria na reunião de hoje. Consegui voltar à academia depois de duas semanas sem ir, mas, já no caminho, me senti "caindo das nuvens"... dessa sensação de leveza que eu vinha sentindo nos últimos dias. Como numa turbulência: aquela queda brusca em que seu estômago flutua não num bom sentido, pelo contrário; aquele momento, quase sempre poucos segundos, mas nos quais você sente que tudo pode estar por um fio e você pode cair sabe-se lá onde e sabe-se lá se você vai sobreviver. Mais uma vez, pode parecer exagero, mas fazia tempo que não sentia uma agonia tão grande. Some-se a isso mais um prazo da monografia estourando e eu ainda com coisa por fazer, TPM, mãe que ia viajar de madrugada, colega que foi fazer curso por dois dias e do qual eu tive que fazer o trabalho ontem e hoje... a propósito, amanhã faço sete anos de serviço (li em algum lugar semana passada que sete anos são um ciclo, então tá na hora mesmo de partir pra próxima). Enfim, achei que ia ter uma crise de ansiedade ontem: e o foda é que depois da trombose sempre tenho medo quando me exalto assim, aliás, qualquer dor de cabeça mais forte já me deixa em pânico. Ainda tive pesadelos a noite toda, coisa que não acontecia há muito tempo, e mal dormi, apesar de estar TÃO cansada.

Dos dias leves... voltem logo, por favor!
Saí da reunião meio apavorada, aquele banheiro da FCI viu minhas lágrimas de pavor mais uma vez, mas, como tem acontecido recentemente, consegui me acalmar, o que já ajuda bastante. Será que sou controladora e nunca percebi? Mais uma pra terapia de amanhã.

Tá chovendo agora, depois de meses... gotta be some rainy days: graças a Deus! Assim também as turbulências fazem parte... dá ainda mais medo quando você tá começando a voar, mas é só respirar fundo e confiar, que logo isso também passa. Assim espero.

10 Responses
  1. Alexandre Says:

    Saia de alguma dessas reuniões, como se não tivesse chão aos meus pés, não conseguia escutar e minha visão ficava ofuscava. Ia direto para o laboratória de informativa e ficava lá lendo qualquer coisa na internet até conseguir colocar meus pensamentos em ordem. Era o jeito, pelo menos lendo e conseguia desacelerar um pouco de tudo que estava rodando da minha cabeça. Andar a esmo não ajudava, dirigir era um perigo, deus que me guiava nesses dias.

    Você chegou numa parte que eu mesmo nunca consegui fazer, a versão 1.0 da minha monografia o estudo de caso dependia de entrevistas. Nunca consegui levar uma dessas a frente. Morria de medo de ouvir um não, tanto trabalho perdido + a culpa por feito tudo em vão e recomeçar. Esse passo não consegui dar, acabei que troquei o enfoque do estudo de caso apoiando minha tese em outras monografias mais especificas, tipo fazendo uma unificação de teorias. Isso me enterrou na biblioteca por vários sábados. Só dependia de mim e estava na minha praia.

    Mergulha nisso! Leve esses questionários o quanto antes na mão de quem tem que responde-los. Mantenha a orientadora a par de tudo e divida essa responsabilidade. Tudo o que você não pode fazer é chegar no final com as mãos abanando.

    No que precisar de ajuda, é só pedir, faço qualquer coisa para que dê tudo certo.

    Queria poder te abraçar agora, não pense num não, pense no sim, que vai dar tudo certo, mas para isso você tem que tentar.

    Acho que seria muito difícil te soltar depois.


  2. Às vezes tenho a sensação de que ainda não caiu a ficha de que você existe de verdade e não é um produto da minha imaginação. A distância que nos separa torna tudo ainda mais surreal pelo fato de, ainda assim, a gente ter se encontrado, passando pela mesmíssima coisa apesar das nossas realidades diferentes. O que você disse agora serviu como um grande alento: sempre tive um pouquinho de inveja de você por você já ter o estudo de caso e nunca entendi como você podia achar a revisão de literatura mais difícil que isso haha. Agora tudo faz sentido. E é bom não me sentir uma louca-desesperada-drama queen por ter chegado nessa parte e travado. Infelizmente eu não tenho outra opção: vasculhei dezenas de monografias anteriores, falei com professores, tentei achar uma brecha que fosse... mas não tem outro jeito. E eu ficar aqui remoendo isso e empurrando com a barriga não vai me ajudar em nada, principalmente a essa altura do campeonato.

    Saí TÃO puta da terapia hoje, principalmente comigo mesma por ter ainda tanta negatividade dentro de mim e deixar isso me derrotar em momentos como esse. Desde segunda, consegui ignorar completamente tudo o que deu certo até aqui. Tudo por causa do medo de um "não": o que convenhamos, todos passamos na maioria dos momentos da vida.

    Amanhã vai ser um dia decisivo, espero conseguir dormir hoje. Também não ia querer te soltar se pudesse te abraçar agora.


    PS1: se você for bom com gráficos, seria de grande ajuda sim... rs :)

    PS2: obrigada pela força, por tudo e, principalmente por existir


  3. Alexandre Says:

    Olha que deve ser difícil de imaginar alguém assim, tão complicado que nem eu, Devo ter saído de alguma fábula, sobre auto sabotagem.

    Seria muito perfeito se tivéssemos perto um do outro, te encontrar para mim já foi um evento inesquecível. Você é tudo de bom que posso imaginar; linda de tirar o fôlego, tem um gosto musical impecável, gosta de viajar, ler... já falei que é bela? Bom, fica de reforço. Nem preciso dizer que é muito mais que o suficiente para eu ficar apaixonado. Porém a vida resolveu jogar as mesmas pedras em nossos caminhos para que possamos nos apoiar um no outro e compartilhamos mesmo os momentos de dificuldade. É mole?

    Vou te contar outra, o “plano B” também não é meu. Quem me deu a dica foi meu ex-mentor, / atual desafeto na empresa que trabalho.

    Sei que é necessária uma força de vontade incrível, para levar a frente algo que acho que pode vir a trazer muito sofrimento. A vontade é de não fazer nada, adiar e esperar dia após dia em agonia até a bomba explodir, pois na minha cabeça já deu tudo errado mesmo. Só que nada aconteceu ainda e ignorar só têm consequências negativas. O único jeito de dar certo é AGINDO.

    Dou meus pulos no Excel, não sei dizer se sou expert ou não, pois no meu mundo de engenharia ninguém é. A oferta está aberta. Se precisar estou aqui. Não é todo dia que alguém aparece estendendo a mão para me ajudar.

    Eu que agradeço, você é um raio de sol em minha vida.


  4. Deve ter algum motivo pra ter acontecido dessa forma... ainda assim, não consigo ver nada de negativo nisso tudo, pelo contrário. Isso não é o tipo de coisa que acontece todo dia nem com todo mundo, temos muita sorte: mesmo que agora você esteja aí e eu aqui. É como diz o álbum do Anathema, "we're here because we're here" haha!

    O que tinha pra essa quinta deu certo, e no fim das contas todo o resto vai dar certo também, apesar das dificuldades e situações desanimadoras... Achei que ficaria esfuziante, mas senti pouco mais que um alívio. Enfim, eu sempre soube que não seria fácil... vou aproveitar o FDS pra pôr a cabeça no lugar e pensar num jeito melhor de lidar com isso tudo. Falta tão pouco, o que são dois meses para quem está nessa há mais de dois anos?

    Já fiz esse tipo de gráfico em um trabalho em grupo de outra matéria, só que já faz tanto tempo que nem lembro como consegui hahaha! Se quando chegar a hora e eu vir que vou precisar de um "help", pode deixar que eu "grito" ;)


  5. Alexandre Says:

    o único motivo que consigo pensar é que se eu tivesse ai pertinho de você, embora tivesse as melhores intenções do mundo acabaria roubando um pouco de um tempo que você não tem e iria acabar te fazendo falta. Eu provavelmente jogaria a minha monografia para o alto e dançaria em cima dos papeis.


  6. Claro, já pensei muito nisso... Essas últimas semanas me vi voltando ao ciclo de "desculpites". Lógico que sabia disso, mas não quis enxergar até a sessão de terapia dessa semana: ele disse que ia me dar um puxão de orelha, mas pra mim foi mais como um tapa na cara atrás do outro. Minha vontade era de voar no pescoço dele, principalmente porque sabia que ele tinha razão. Aquela coisa de não querer ser contrariado, que nós dois conhecemos bem. Enfim, se tivesse uma desculpa tão boa quanto sua presença perto de mim, nem sei o que seria de mim hahaha... por mais irônico que possa parecer, nesse exato momento ajudamos melhor um ao outro dessa forma. Ainda assim, me sinto mais forte, menos sozinha e já consigo acreditar que coisas ainda mais incríveis podem acontecer daqui para frente. E isso já é TÃO mais do que eu poderia esperar nesse momento da minha vida, que eu tinha certeza que seria um verdadeiro inferno...


  7. Alexandre Says:

    Você é a desculpa perfeita!

    É foda, mas o único jeito de eu sair do ciclo de desculpas é alguém vir e me chacoalhar. Pois tenho na ponta da língua as razões por que está tudo inacabado. Não fiz isso por causa daquilo, não fiz aquilo por causa daquilo outro e não comecei ainda pois sei que não vou dar conta de tudo isso.

    Estava pronto para colocar meu coração de volta no freezer depois do ano passado em que só me causou imenso sofrimento.

    Agora tudo é diferente, há um impulso para eu resolver a minha vida para que seja real. Essa energia feito toda a diferença.


  8. We will make it! Enquanto isso, você me chacoalha daí e eu te chacoalho daqui, beleza? ;)


  9. Alexandre Says:

    I´ll rock your world, Nádia!