"Stuck In A Moment You Can't Get Out Of"

[Quarta-feira, 28 de agosto de 2013]



"I'm not afraid of anything in this world
There's nothing you can throw at me 
that I haven't already heard
I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company

[...]

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and now you can't get out of it
Don't say that later will be better 
now you're stuck in a moment and you can't get out of it

[...]

And you are such a fool
To worry like you do (ohhh)
I know it's tough, and you can never get enough
Of what you don't really need now... my oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Oh, love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment and you can't get out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm till you discover how deep...
I wasn't jumping... for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

[...]

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along the stony pass
It's just a moment
This time will pass"



FATO: eu não consigo enganar a mim mesma, muito menos meu psicólogo. (y)

Sobre o sonho. Estávamos eu, minha irmã e duas primas fugindo correndo de algum lugar escuro até que chegávamos em um campo aberto. Continuávamos a correr, mas uma hora eu simplesmente começava a subir pra sei lá onde, só sabia que tinha que chegar no topo. Sabia que chegaria, de alguma maneira naquele momento aquilo parecia muito fácil: pedra sobre pedra e logo eu estava no ponto mais alto. Nada mais importava, só aquele horizonte que se estendia à minha frente... tudo era tão lindo e infinito e eu queria TANTO fazer parte daquilo. Mas - porque SEMPRE tem um "mas" - eu percebia que o espaço onde eu estava só dava para apoiar meus pés e tive medo de cair. Mas lembrei que estava num sonho e que, assim sendo, eu poderia simplesmente me jogar e voar: principalmente ao ver uma tartaruga enorme fazendo exatamente isso, para frente e para trás, ao meu lado. Estava óbvio que aquilo era um sonho, MEU sonho, e, se uma tartaruga podia voar, porque eu não?  Porque eu tive MEDO. Comecei a tatear atrás de mim procurando minha cama e acordei deitada nela.

É tudo simplesmente TÃO óbvio. Quando eu surtei há dois anos e meio, tive medo do horizonte de infelicidade que se estendia a minha frente (e aqui eu já peço desculpas se eu começar a ficar repetitiva, mas o blog é meu, e eu tô tentando entender que porra tá acontecendo comigo durante todo esse tempo). Mas agora ele se mostra justamente o contrário; agora ele é vasto e apresenta mil possibilidades. E não importa mais o que ficou para trás: EU cheguei ali no alto, e agora é só me jogar. Mas eu tô com medo. Ainda tô com medo: de ser feliz e de merecer tudo isso. Onde já se viu tanta bobagem? É engraçado que a gente cresce e acha que vai começar a entender tudo, haha! Nada... além de tudo parar de fazer sentido, a gente ainda dá um jeito de complicar o que poderia ser simples. Enfim, disse pra ele eu passei todo esse tempo parada e, só agora eu consegui sair do lugar e que eu tô começando a caminhar; ele disse que não, que eu já tô caminhando há um bom tempo e que agora é hora de voar, eu tô pronta: mas eu mesma estou me prendendo. Segundo ele, eu tô abrindo mão de coisas que eu sempre considerei importantes sem a menor necessidade: porque eu poderia, sim, dar conta de tudo, como eu sempre fiz. Agora tem toda essa merda de autossabotagem, autopunição, autopiedade. E eu jurando que tinha me livrado dessa coisa de "querer ser salva". É óbvio que eu me perdi nesse meio tempo (e isso me lembra tanto o final d'A história sem fim) e nesse processo de chutar para escanteio tudo o que eu não queria. O passado faz parte de mim, nem tudo foi ruim, MUITO pelo contrário, eu fiz algumas escolhas erradas, quem nunca: mas não preciso abrir mão de todas as minhas conquistas e meus relacionamentos para seguir em frente, mesmo que essa caminhada, esse voo, seja MEU no fim das contas. Talvez eu precise voltar nesse tempo e tentar entender quando e como foi que eu passei a acreditar nisso. O meu "eu" de hoje sabe que vai dar tudo certo, porque ele tomou uma atitude. O psicólogo disse que fica intrigado com o fato de eu ter tanta clareza das coisas, das possibilidades e da minha capacidade, mas ainda assim, duvidar tanto de mim mesma. Espero que não seja tarde demais para reconhecer e admitir o que tem importância pra mim: o que eu QUERO e não que eu deveria querer. E que eu ainda tenha forças para bater essas asas.



6 Responses
  1. Alexandre Says:

    eu tenho três sonhos que vivem se repetindo, em um deles eu vôo, é a noite e eu saio da varanda do apartamento em que morava em direção a rua. O vôo é bem curto pois bater as asas é incrivelmente difícil. Eu fico exausto (como se isso fosse possível em um sonho) paro para descansar antes de voar mais um pequeno pedaço e parar novamente para recuperar as forças.

    O que mais me assusta nos meus sonhos é que estou sempre sozinho, nunca tem uma alma viva além de mim nesses vastos espaços arquitetados. Fico pensando se esse é o meu destino pois meu inconsciente tem certeza de que é.

    Bom, no seu sonho quem que se levar em conta que o ser humano tem sempre medo do que desconhece. São poucas as vezes que se tem certeza do que se deve fazer, mesmo assim ainda pode dar errado. É uma questão de quanto arriscar.


  2. O interessante é que sempre que eu sonho que voo, eu pego impulso do chão. Teve uma época que eu sonhava muito que tinha que pular lances de escada, sempre fugindo de alguma perseguição. Lembro que era horrível aquela sensação de queda, parecia que o chão não chegava nunca e que eu ia morrer de aflição. Mas não me lembro de nada parecido até então, nunca experimentei essa sensação de liberdade: se nem em sonho, imagina de verdade. E vai ver é por isso que dá tanto medo. Nesse sonho eu tava só, mas sabia que tinha que ser assim. Um dos meus maiores medos sempre foi morrer só. Hoje eu minto pra mim mesma dizendo que eu tô bem assim e que essas coisas não têm mais importância, mas, na verdade, é devastador e eu fico arrasada por dentro.


  3. Alexandre Says:

    Esses sonhos que tenho que se repetem são muito especificos. O do voo começa da varanda, dai vou para o topo de uma arvore, praticamente plainando, depois para uma outra arvore proxima a uma praça, essa é a parte que dá mais trabalho pois não diferença de altura. Por último pego uma corrente de ar e vou da arvore até um celeiro no pé de um morro. De lá fico olhando a imesa praça vazia a noite e termina o sonho. O fato de ter vento e todo o trabalho para voar são únicos.

    Um outro sonho que tenho que se repete é justamente de cair. Esse é no deserto, entro em uma construçao que é só um esqueleto, com vigas e lajes sem paredes. Dai pego um elevador para o último andar. Quando as portas se abrem o sol está em minha direção, corro e me atiro em direçao ao sol. Antes morria na queda e acordava. Depois passei a sobreviver sentindo imensa dor e acordava por não ter nada mais a fazer ali.

    É muita doideira não?

    Ficar só também é uma grande temor meu. Não que eu seja a pessoa mais fácil do mundo de se lidar mas poxa, tem que ter alguém por ai que me compreenda o suficiente para me aturar. Sei que sou um pouco diferente mas não tanto assim.


  4. #vouconfessarque eu MORRO de inveja de quem tem sonhos assim tão claros e consegue explicar com a mesma clareza. Minha mãe várias vezes conta uns que dariam livros! Costumava lembrar sempre, quando era mais nova... sempre tinha vários anotados nos meus diários: e uma vez um garçom deixou cair uma bandeja de pratos prestando atenção num sonho que eu tava contando para minhas primas num restaurante hahaha! Só que quando eu consigo um psicólogo conhecido por gostar de trabalhar com sonhos, eu quase não consigo lembrar mais nada. Enfim, talvez eu deva comentar com ele pelo menos esses sonhos que eu tinha... ele ia adorar os seus! Acho tudo isso fascinante!

    PS: Você é MUITO mais do que "aturável". Quanto a mim, nem queria tanto que as pessoas me entendessem: se elas conseguissem pelo menos entender que eu tenho sentimentos... vai ver o problema sou eu, já que todo mundo age da mesma forma.


  5. Alexandre Says:

    Talvez você não esteja dormindo o suficiente para ter sonhos, tem que ser um sono muito profundo para acontecer.

    O que faço para não esquecer de meus sonhos é que quando acordo depois de um, não viro e vou dormir imediatamente, se fizer isso esquece mesmo. Fico analisando eles, cada ambiente fico tentando descobrir como foi construído, pois quase todas as peças vem de minha memória. Só depois de vasculhar tudo é que volto a dormir.

    Sempre tive vontade de anota-los em um caderno, mas a preguiça de fazer isso tem ganho essa batalha.

    Seus sentimentos são nobres, você está em busca de auto-realização. Quer viver em plenitude com capacidades. É até difícil de descrever o quanto belo considero isso.

    Os outros é que não consigo entender, como podem se contentar com pouco e só prestar atenção no seu próprio umbigo.

    O mundo é incrível e quero ver máximo do que ele tem para oferecer.


  6. Yaciara Says:

    Eu não tenho sonhos. É uma pena. Mas fiquei emocionada com a simbologia do seu. Sobre o medo e sobre essa escalada. Eu me sinto tão assim. Descobrir dentro de nós o que realmente queremos o que nós deveríamos querer é uma reflexão que dura por muito tempo, mas acredito que quando chegarmos a uma resposta satisfatória, seremos verdadeiramente LIVRES!