Insight

[Sábado, 27 de julho de 2013]

Daí que eu e minha irmã resolvemos beber vinho no jantar e, além disso ter se tornado cada vez mais frequente em se tratando da pessoa dela, quando ela bebe tudo toma uma dimensão ainda maior: eu não sei como explicar bem, mas ela quer discutir TUDO, o porque de você se sentir assim ou assado, e variações de um mesmo tema. Créditos à terapeuta dela. Enfim, o fato é que eu já tenho meu terapeuta e minha mãe a dela - e até meu pai a dele - mas ela sempre quer mostrar o quanto você tá fazendo tudo errado com sua vida - na melhor das intenções, claro.

SÓ QUE: eu detesto gente metendo o bedelho na minha vida quando eu não pedi a opinião de ninguém.  E fui comentar isso com ela. E ela perguntou: "MAS POR QUÊ"? E aí se seguiu toda uma exposição de motivos e discussão (sim, tudo isso numa sexta á noite) e, quando tudo já tinha virado uma conversa bastante amigável, eu, depois de três taças de vinho (já comentei como vinho "bate" rápido em mim, né), tinha que tocar na questão da culpa: o que, óbvio, me levou à questão do curso. O fato é que depois disso eu fui tomar um banho (agora virou mania fazer isso depois de beber) me acabando de chorar, remoendo um monte de coisas (quase tudo eu já falei aqui, e não vou repetir a ladainha: mesmo porque ainda tô bêbada e tô tendo que corrigir uma a cada três palavras que eu escrevo) e cheguei à conclusão de que... eu nunca tive sonhos.


É isso. É triste e deprimente, mas é a realidade. Não consegui realizar muita coisa, e o que eu consegui não foram sonhos (não os meus, pelo menos, e hoje eu vejo isso), foram obrigações. Acho que eu nunca quis nada pra mim de verdade. Acho que eu só segui o fluxo e tentei fazer o esperado. E sim, eu sei que eu não tenho que pensar no passado, que teoricamente eu tenho toda uma vida pela frente para começar tudo de novo, mas não é fácil chegar a uma conclusão dessa a essa altura do campeonato. E tudo o que eu quis, nada grande mesmo assim, eu nunca levei até o fim. Acho que tá tudo ligado a essa sensação que eu tenho de não merecer nada, mas que eu não sei de onde vem. Sabe, eu tive tudo: carinho da família, uma infância feliz, colégio bom... a adolescência não foi muito fácil, mas não teve nada de anormal também, nenhum episódio de querer cortar os pulsos, fui ficar deprê depois de "velha" já. Enfim, não entendo porque eu me sinto tão inferior a todo mundo, porque eu não me acho boa o suficiente em relação a coisa alguma... porque eu preciso me punir TANTO. A ponto de não me permitir sonhar. Hoje eu consigo pensar em algumas coisas, mas nada grande ainda, coisas pontuais e relativamente fáceis de se conseguir: só não sei com o que eu quero trabalhar, onde eu quero morar, se eu quero casar... filho eu não quero e não quero mesmo - se um dia eu mudar de opinião aí são outros quinhentos. E o fato de ficarem jogando minha idade na minha cara não muda nada, sinto dizer. Continuo confusa como sempre estive, mas só agora consigo enxergar... só agora eu vi que quase nada na minha vida hoje faz sentido: eu tô sobrevivendo, não vivendo. Além de "ser escandalosamente feliz", eu não sei o que mais eu quero pra mim. Nunca o título desse blog fez tanto sentido. O lugar mais difícil de estar é aqui... eu só queria me encontrar em mim mesma: me aceitar, me entender, me amar, e conseguir fazer alguma coisa por MIM, de verdade.




Atreyu: "Mas por que Fantasia está morrendo?"
Gmork: "Porque as pessoas começaram a perder suas esperanças e a esquecer seus sonhos. Então, o Nada crescer mais forte!"
Atreyu: "O que É o Nada?"
Gmork: "É o vazio que resta. É como um desespero, que destrói esse mundo. E eu tenho tentado ajudá-lo."
Atreyu: "Mas por que?"
Gmork: "Porque pessoas que não têm esperança são fáceis de serem controladas. E quem tem o controle, tem o poder!"
Atreyu: "Quem é você, de verdade?"
Gmork: "eu sou o servo e o poder por trás do Nada. Fui enviado para matar o único que poderia parar o Nada. O perdi nos Pântanos da Tristeza. Seu nome era Atreyu!"
Atreyu: "Se vamos morrer de qualquer maneira, eu prefiro morrer lutando! Venha me pegar, Gmork! EU sou Atreyu!"


Okãy. Acho que tá cada vez mais claro que eu preciso ler esse livro de novo, tipo para ontem. Detalhe: coincidência ou não, a história começa e termina numa biblioteca.
1 Response
  1. Alexandre Says:

    Já tentei expor essa culpa que carrego, por tudo aparentemente, ninguém entende e parece um sentimento alienígena para as pessoas. Nem gosto de tocar no assunto por que fico arrasado, as vezes por dias a fio, tentando não pensar em mais nada para não piorar a situação.

    Se hoje tenho sonhos, é por que são simples. Os verdadeiros foram abandonados. Não sei se nem posso chamar de sonhos pois são indefinidos. Apenas uma porta que me leva para algum lugar, Os de verdade eram incrivelmente complexos. Cheios de detalhes. Percebi que nunca iriam acontecer.