"Sing a new song, Chiquitita"* ou Retrospectiva 2011


"Chiquitita, me diga o que há de errado
Você está acorrentada na sua tristeza
No seus olhos não há esperança para o amanhã
Como eu odeio ver você assim
Não há como você negar
Eu posso ver que você está tão triste, tão quieta

[...]
 

Então, as paredes estão a desmoronar
E o seu amor é uma vela apagada
Tudo se foi e parece muito difícil lidar
Chiquitita, diga me a verdade
Não há como você negar
Eu vejo que você está tão triste, tão quieta


Chiquitita, você e eu sabemos
Como as dores do coração vêm e vão e as cicatrizes que estão indo embora
Você estará dançando mais uma vez e a dor vai acabar
Você não terá tempo para ficar de luto
Chiquitita, você e eu choramos
Mas o sol continua no céu e brilhando sobre você
Me deixe ouvir você cantar uma vez mais como você fez antes
Cante uma música nova, Chiquitita
Tente mais uma vez como você fez antes
Cante uma música nova, Chiquitita"


[...]


O fato é que, há algum tempo, eu só sou feliz nos finais de semana... quando eu não tenho que olhar para a cara do meu chefe, quando eu danço um dia inteiro, quando eu posso ver meus amigos (QUANDO isso acontece - mais por culpa minha do que deles - mas enfim). Mas daí chega a segunda-feira e com ela aquela esperança idiota de que, com uma semana nova, tudo vai ser diferente. Mas o efeito das endorfinas já passou e eu me vejo acordando "cedo" para ir ao salão, levando mais de hora para me arrumar e sair de casa atrasada, mais uma vez, tamanha é a minha vontade de ir ao trabalho... Pego o ônibus, chego, ainda tento pôr um sorriso amarelo na cara e dizer que tá tudo bem. Tento fazer o meu trabalho sem olhar pra ele e espero o dia passar. Leio o livro da vez (que, lógico, não é acadêmico), chego em casa, tomo um banho (rápido, pq só um chuveiro tá funcionando e logo minha irmã tá chegando), faço uma comidinha gostosa (quando o humor tá bom), sento pra ver a novela e me distrair desse mundo cruel e dessa vida vazia. Continuo vegetando na frente da tevê ou do computador até dar três da manhã porque, afinal, no dia seguinte eu só trabalho à tarde. Como se eu não tivesse monografia para fazer (ou, ao menos, começar), coisas para organizar: VIDA, para viver.

Há umas duas semanas, mais ou menos, eu realmente comecei a me incomodar. Lembro em como eu pensei que trancar o curso para pensar melhor no que eu realmente quero seria uma boa solução para aquela angústia, mas não era bem isso que eu tinha em mente. Esse "tempo" que eu dei pra mim mesma virou rotina... uma rotina muito da entediante, por sinal. Me sinto perdida sem as aulas; sem ter um compromisso agendado pra uma data específica. Porque eu mesma não me cobro. Eu só quero dormir tarde, acordar tarde e esperar pelo sábado e depois pelo domingo, para dormir mais... e, quem sabe, na semana seguinte, uma luz diferente me acorde. Sinto certa saudade, e até vontade mesmo de estudar: especialmente meu italiano. Mas parece que o desejo não é suficiente pra eu me mover. Eu não estudo, não arrumo meu quarto, não faço dieta, não quero sair.


Enfim, o fato é que hoje (ontem), no fim das contas, parecia ter sido um dia não tão ruim. O que, de certa forma me preocupou... Sugeri uma pizza pro jantar (com Guaraná Antarctica comum <3). E depois só senti preguiça. Da internet e da vida. Mas, como hoje em dia, até pra dizer que a gente tá com preguiça tenque entrar na internet, resolvi postar uma foto no facebook pra ilustrar meu estado. Não encontrando a foto no meu netbook nem no meu pen drive de fotos, recorri ao meu fotolog. Até que, revisitando uma ou outra postagem daquela época, dei de cara com uma que tinha essa música. Daí eu procurei a música pra ouvir e não deu outra: a torrente de lágrimas veio com tudo. Há quatro anos eu descobri essa música e me consolei com ela e hoje, novamente, ela traduz tudo o que eu tô sentindo. Eu sinto TANTA falta de mim mesma. De ouvir uma música e me sentir confortada, de acordar no dia seguinte querendo (ou na semana seguinte, dependendo da gravidade da situação) tentar novamente, ou começar algo do zero. Nem que seja uma dieta.

Sinto falta do meu lar. Eu tinha um plano, sabe, e de repente ele parou de fazer sentido e eu me vi sem chão de novo. E dessa vez nem tem como eu colocar a culpa em ninguém. A escolha foi totalmente minha. Mas meu lar não tá do jeito que eu quero. Eu não quero um lar funcional, quero um lar que eu possa chamar de MEU. Que seja eu, minha essência... Até na sanidade eu exagerei: sinto falta das minhas fugas durante a supervisão da obra para comprar uns quadros coloridos - caros, eu confesso, mas será que eu não mereço? Que eu não posso me presentear de vez em quando depois de tanto trabalho e esforço e suor e cansaço? Sinto falta de chorar toda segunda-feira à noite de saudade de alguém, mesmo porque eu podia por a culpa nesse alguém (embora eu tenha me auto-flagelado, e não foi pouco), e não porque eu não sabia o que fazer da minha vida aos 26 anos e meio.


* Escrito originalmente em 20 de setembro de 2011.