Da gratidão pela TPM

Daí que hoje foi o 1º dia que eu consegui parar de chorar, desde o show dos Backstreet Boys (quer dizer, tive que me segurar no ônibus a caminho do trabalho; mas NÃO chorei mais hoje).

Já disse que depois faço um post DE VERDADE sobre o show, mas o que interessa agora é que, nesse momento em especial, eu me libertei. Eu era só emoção. Não queria saber se era ridículo eu chorar tão copiosamente por estar vendo meus ídolos de quando eu tinha metade da idade que eu tenho hoje. Eu simplesmente me permiti sentir o momento. Eu simplesmente fui verdadeira comigo mesma.


E foi o que aconteceu no dia seguinte. Juntou a emoção do show com a nostalgia da época com a depressão pós-praia com a volta ao trabalho e, consequentemente, à realidade. Resultado: surto. Bem do jeito que eu previra e tanto temera. Aproximadamente quatro horas chorando, pelo menos em metade desse tempo, copiosamente. É que eu simplesmente tava sendo verdadeira comigo mesma. E a verdade dói.

Eu nunca fui do tipo de pessoa que costuma desabafar com alguém (pelo menos não sóbria hahaha), sempre penso que as pessoas têm mais o que fazer que escutar e dar atenção aos meus problemas... por mais próxima que a pessoa seja de mim e por mais que eu pare tudo pra ajudar essa pessoa quando ela precisa, não importa o que eu esteja fazendo (bem, eu costumava fazer isso; já tem um bom tempo que eu ando BEM relapsa e me perguntando se eu mereço os amigos que eu tenho... apesar de estar afastada por saber que estou longe de ser uma boa companhia no momento). Daí a gente acaba guardando uma coisa atrás da outra atrás da outra... tudo dentro da gente. Não adianta... mais cedo ou mais tarde, não vai caber mais nada e a gente explode. Poisé. EU explodi.

O problema é que eu não tava mais só guardando tudo pra mim, mas resolvi mentir (e omitir) pra mim mesma. E é aquela coisa, uma hora, a verdade aparece. E apareceu. E doeu. E me derrubou de cara no chão.

E, por alguns instantes, tudo o que eu consegui fazer foi me ver de joelhos pedindo perdão... pra mim mesma e pra todas as pessoas que se importam comigo e que eu acabei impedindo de se aproximar de mim e, quem sabe, ver, de fora, que alguma coisa séria tava acontecendo comigo. Até eu ouvir uma voz, de dentro de mim, ou sabe-se lá de onde, que me disse uma única palavra que, depois de sabe-se lá quanto tempo (leia-se meses), conseguiu me acalmar de verdade.

E agora estou prestes a tomar a decisão mais importante dos últimos anos da minha vida... Passei pro papel, escrevi, fiz questão de deixar registrado, pra não mudar de idéia depois que o calor do momento passasse e, mesmo tendo perdido todo o meu texto, eu ainda consigo ouvir aquela voz, que ocupa meu pensamento toda vez que eu penso voltar atrás. Sei das consequências, mas eu PRECISO parar pra cuidar de mim. Porque eu tô doente - se (ainda) não estiver, tô chegando perto, MUITO perto. Minha saúde (e a de todos que se preocupam comigo) é mais importante que tudo. O resto pode esperar.




Enfim, se não fosse minha TPM, que vez ou outra, me "proporciona" essas crises, esses momentos que, agora eu percebo, me permitem ter uma conversa franca comigo mesmo, em que eu ponho tudo pra fora, dificilmente eu teria chegado à conclusão que eu cheguei. Provavelmente teria pensado algo do tipo "cabeça vazia é oficina do Diabo", "xá eu me ocupar pra parar de ficar pensando besteira". É o que costuma acontecer hoje em dia. Estamos sempre tão ocupados que nossa vida, cada vez mais, vai se resumindo às nossas obrigações. Pensamos no que temos que fazer no dia seguinte e deixamos nós mesmos e a quem amamos de lado. Daí dá nisso. Uma hora o corpo, a mente, o espírito "enfarta" pra ver se você presta atenção nele.

Assim, percebi que, ao invés de amaldiçoar minha sensibilidade excessiva uma vez por mês, eu devo ser mais do que grata a esse mecanismo do meu corpo, a esse sinal de alerta que não permite que eu me sabote por completo. TPM, eu te amo.


Foto: eu (loira, depois de Iemanjá levar toda a minha tintura embora) no meu último dia em Porto de Galinhas. E pensar que, daqui a exatamente um mês, eu posso estar na praia de novo o/
2 Responses
  1. Então a ruiva ñ é mais ruiva? Rsrsrs! Como eu te chamo agora?

    Falando sério, olha eu tive uma fase de chorar muito, faz tempo, mas era diariamente. Loucura entender, a gente é "todo sentir" e isso acaba com qualquer ser. Mas como vc disse, a sensibilidade tem seu lado positivo tb, faz com que a gente olha mais pra dentro, que se dê tempo e atenção, é um alerta de algo está errado e precisa ser mudado pra ontem.

    Espero que vc consiga se animar querida, 1º cuida de vc e deixa os outros pra depois =)

    Bjoks!

    Nany Morrison
    (http://thoughtsinexcess.blogspot.com/)


  2. Yaciara Says:

    É necessário mergulhar em nós mesmos pra saber de fato o que tem naquele fundo. às vezes estamos tão turvos, que não nos enxergamos. Eu tenho essa mesma mania de me sabotar, com aquele velho papo otimista do 'tudo passa, tá tudo bem' mas no fundo isso é uma desculpa para eu colocar uma rolha no buraquinho dos sentimentos... uma hora a pressão é tão, tão grande que inunda tudo. Só que no final eu me sinto mais limpa. Creio que tenha sido essa mesma sensação que você sentiu depois de ter se transbordado...

    e ah, aquele texto eu extraí do livro do pequeno príncipe mesmo.

    Se cuida...