"É o que tem pra hoje"

[Frase do Dicésar do BBB 10 (SIM, tou assistindo, okãy?!), adorei e adotei!]


Há dois meses...

"[...] eu consegui sepultá-lo, mas dentro do meu coração. Onde mais eu sepultaria meu amor?! Por mais que a saudade me machucasse e me fizesse chorar... a cada visita, a cada data em que eu lembrava de algum momento nosso, momento meu, e que ninguém tiraria de mim.

Meu coração se inquietou ao descobrir que meu amor não mais se encontrava em posse da arma com que ele me feriu. Meu coração bateu forte quando meu amor, lá do fundo, começou a esmurrar sua sepultura até eu conseguir ouví-lo, bem baixinho: 'Ei! Eu tô vivo! Me tira daqui! Posso entrar na sua vida de novo?'

Descobri que ele não precisava nem ter pedido. Na mesma hora ele tava livre do túmulo, passeando, se não no meu coração nos meus pensamentos. E não demorou muito pra ele sair da minha imaginação e se materializar na minha frente; como uma fênix renascida das cinzas, em carne, osso e olhos dourados."


E o que tem pra hoje é dor. O que tem pra hoje é deixar doer...

Porque, no fim das contas, apesar de estar sempre com um pé atrás, de saber o que eu tava fazendo, por quê tava fazendo, onde eu tava pisando, de novo, apesar de todo o meu aparato de segurança e das moedinhas de sanidade que eu juntei pra não me ver sem chão e sem teto, de novo, o fato é que a única certeza que eu tinha era de que ela, a dor, ia estar sempre comigo, no começo, meio e fim.

É incrível como a gente acha que, por estar tentando novamente algo que já se tinha tentado, a gente tá vacinado e devidamente munido de anticorpos pra qualquer coisa. Só que não existem anticorpos pras dores da alma. Ela é tão sensível que sabe a mais microscópica diferença entre uma dor e outra. Então, não adianta vir com aquele papo de "eu já passei por isso mais de mil vezes, tô calejado, isso não me atinge mais". Não adianta. Uma dor nunca vai ser igual a uma outra. A época é outra, as circunstâncias são outras e até cada um de nós é outra pessoa, melhor ou pior, não importa... porque a dor não vai ser consequentemente melhor ou pior, ela vai ser exatamente do jeito que ela deve ser.


Eu tinha noção do que poderia acontecer, e esperei o pior; como eu disse pra mim mesma, pelo menos seria uma dor diferente. Mas, por mais que eu me achasse preparada psicologicamente emocionalmente, jamais poderia ter certeza do que aconteceria se eu resolvesse, de novo, percorrer esse caminho, essa linha torta traçada por essa "brincadeirinha" há tanto tempo e que, por incrível que pareça, ainda existia.

Jamais imaginei que chegaria tão longe... Partindo desde o ato mais irresponsável dos últimos tempos (como era boa a sensação de estar fazendo merda!), depois encontrando ali uma válvula de escape, experimentando aquela droga, em doses nem homeopáticas, nem overdoses... até começar a sentir os efeitos colaterais ao voltar pra realidade. Mas não, eu tinha que ir até o fim, eu TINHA que tentar - hoje eu me pergunto exatamente o quê. Então, como eu já disse, eu decidi guardar sempre uma moedinha que fosse do dinheiro que eu tava levando comigo, vai saber onde eu ia parar, oras?!

E elas tão me ajudando, minhas moedinhas de sanidade. Eu falei que elas seriam meu tesouro. Além dos meus amigos, meus seriados (nada como ver que tem mais gente na merda!), meus livros (tô aprendendo sobre sanidade e insanidade), os novos planos e a convicção de que eu não me arrependi de absolutamente nada. A não ser, talvez, do fato de em algum momento ter realmente acreditado que poderia ter dado certo. Sinto que eu tô chegando no fim da linha... Percebo-me infinitamente mais madura que na outra vida, mas, ainda assim, não tô exatamente no clima de ver o lado bom de coisa alguma. Porque mais uma caminhada tá terminando e eu não tô vendo nenhum pote de ouro no fim do arco-íris. E, quando a noite chega, só tem escuridão. Mesmo eu já tendo passado por aquilo antes, quando escurece eu me vejo completamente perdida. E deixo de acreditar que sequer existe um arco-íris. E o que eu posso fazer? Simplesmente deixar doer. Porque o que tem pra hoje é essa dor, essa descrença e esse vazio. E, pode demorar, mas nem nos pólos a noite dura pra sempre. Uma hora eu vou acordar, lavar esse rosto, limpar o rímel borrado desses olhos inchados e ver que o que tem pra hoje é um novo dia, ensolarado e com arco-íris. "It can't rain all the time".




"Oh why don't I ever learn?


[...]

All my agonies fade away
When you hold me in your embrace

Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Give me something I can believe
[...]
You've opened the door now, don't let it close

[...]

I want to believe tha this is for real
Save me from my fear"

[All I Need - Within Temptation]

Uma mente inquieta


Em retrospectiva, fico assombrada de ter sobrevivido, de ter sobrevivido sozinha e de aquele período ter contido uma vida tão complicada e uma morte tão palpável. Amadureci rapidamente durante aqueles meses, como seria necessário com tanta perda de identidade, tanta proximidade da morte e tanta distência de algum refúgio.

[JAMISON, Kay Redfield. Uma mente inquieta.]

Fazia tempo que um livro não me escolhia. Vejo pela decepção dos dois primeiros e únicos lidos esse ano. Mas ESSE! Acho que o rejeitei bem umas três vezes, mas ele sempre ia ao meu encontro. E agora, finalizado o primeiro capítulo, me sinto extremamente feliz que ele o tenha feito!


Principalmente agora, que eu não sei onde eu enfiei minhas moedinhas da sanidade.


Finalizando com uma música que também me escolheu nesse momento, de uma banda que também me escolheu (isso já há bem mais tempo!)!


Inferno astral

Inferno astral é o período de 30 dias que antecede a data de seu aniversário. Nessa época, a cada ano, você fica mais sensível e precisa se dar a si mesmo(a) mais atenção. Durante essa fase, recomenda-se fazer um balanço de sua vida e quando se deparar com problemas, esforce-se por resolvê-los. 

Assim, meu inferno astral começa exatamente hoje.


Assim como eu acredito em inferno astral, também acredito que o “ano novo” só começa realmente no nosso aniversário. Pra mim, vítima de procrastinação crônica (além de várias outras doenças/síndromes da vida moderna) isso cai como uma luva, uma vez que, no fim das contas, meu aniversário é sempre na época do Carnaval e, como todo mundo sabe, no Brasil o ano só começa depois do Carnaval.

O que não significa que eu só pare pra pensar no ano que passou e nas resoluções pro ano seguinte só na véspera de completar mais uma primavera (no meu caso, verão hahaha). Como todo mundo, quando um ano tá pra acabar, eu faço aquele balanço do ano que tá indo embora e penso que o ano que vem vai ser melhor no que tiver que ser. E fico feliz que nos últimos dias de 2009, apesar de ter sido o pior ano da minha vida, eu também tenha conseguido ter pelo menos pensar “já vai tarde”.

"ano novo, vida nova"

beba, viciada em The Veronicas (na verdade, em duas músicas), lendo livro de encalhada depois de décadas e repondo o estoque, cheia de roupa e sapato novo, reencontrando amigos com mais frequência, dando um tempo da dança (a princípio determinado, mas vai saber), com novas perspectivas profissionais, mudanças de planos acadêmicos, mais bem humorada e paciente, e no fim das contas, eu bem que falei que as moedinhas da sanidade iam me salvar.

viu, 2009? você foi e eu fiquei


E amanhã começa o inferno astral do Stitch, 1 mês pro niver dele

2009, um resumo da ópera

08/06/09

"O fato é que eu tô me sentindo um lixo; e jogado não simplesmente no chão mas num poço fundo e seco... O fato é que por mais que eu tente começar tudo de novo sempre vem uma onda cada vez maior pra destruir meus castelos de areia que eu acabei de construir.

[...]

Eu preciso me reencontar no fundo desse poço, no meio desse monte de lixo que eu tô me sentindo. Preciso pegar cada pedacinho e reciclar pq eu não quero ser outra pessoa, mas eu mesma renovada. E somente eu mesma posso fazer isso."